Que posso fazer para ter mais leite? - Mi nino no me come

26-02-2012 14:07

E porque raio deseja você ter mais leite? Está a pensar abrir uma loja?

A preocupação das mães relativamente à suficiência do leite é muito antiga: há séculos atrás, quando toda a gente dava de mamar, já havia virgens e santos especializados em tornar o leite bom, e ervas e poções com muita reputação.

Talvez este medo venha da ignorância. As pessoas acreditavam que a quantidade do leite dependia da mãe: havia mães com muito leite e outras com pouco leite; mães com bom leite e outras com mau leite.

No nosso mundo acelerado há cada vez mais mulheres com “mau leite”, mas hoje sabemos que não é por culpa das mães. A quantidade de leite não depende da mãe, mas sim do filho. Há filhos que mamam pouco, e a quantidade de leite será sempre, exactamente, a que a criança mama.

Exactamente? Sim. A produção de leite está regulada, minuto a minuto, pela quantidade que o seu filho mamou na mamada anterior. Se o bebé estava com muita fome e com pressa de chegar ao fim, o leite se fabricará a grande velocidade. Se, no entanto, a criatura estava calma e deixou o peito a meio, o leite será produzido lentamente. Isto foi demonstrado através de medições do aumento do volume do peito entre mamada e mamada.

Para que uma mãe tenha pouco leite, ou seja, menos do que o seu filho precisa, é preciso que aconteça uma das seguintes situações:

1. Que o bebé não mame o suficiente (por exemplo, se está doente, ou se lhe encheram a barriga de água, soro glicosado ou ervas, ou se lhe deram o biberão).

2. Que o bebé mame, mas mal (por exemplo, se coloca mal a língua porque se habituou a chuchas e biberões, ou se está fraco por ter perdido muito peso, ou se tem um problema neurológico).

3. Que não deixem o bebé mamar, porque tentam dar-lhe segundo um horário, ou entretê-lo com a chucha quando ele pede a mama.

Fora estes três casos (e alguma doença rara, das que há uma entre vários milhares), todas as mulheres terão exactamente o leite de que seu filho precisa.

Portanto, quando perguntam “que faço para ter mais leite”, o primeiro é comprovar se realmente há um problema (se o bebé está a perder peso, ou a ganhar muito pouco). Deverá tratar-se de algum dos três casos anteriores ou de uma mistura dos três, e terá de ser remediado. Se o bebé está doente, averiguar o que tem e tratá-lo. Se está tão fraco que não consegue mamar, tirar o leite e dar-lhe com outro método. Se estavam a dar água ou chupeta, deixem de dar. Se tomava biberões, tirá-los também (de repente se era pouco, ou gradualmente em uns dias se eram muitos). Se não mamava com boa postura, colocá-lo bem para que volte a aprender. Poderá encontrar ajuda muito útil nos grupos de apoio, como Mamar ao Peito, Liga La Leche, ou SOS Amamentação. Há dezenas de grupos de apoio à amamentação em Portugal, pode encontrar uma lista actualizada em:http://mamaraopeito.webnode.com/grupos-de-apoio/ (Nota da tradutora: a última frase foi alterada, para adaptar-se a Portugal) 

Mas também há muitíssimos casos em que a mãe acredita, por algum motivo, que não tem leite suficiente, o que está errado. Alguns dos falsos “sintomas” da falta de leite podem ser:

- O bebé chora.

- O bebé não chora.

- O bebé pede antes das três horas.

- O bebé pede depois das três horas.

- O bebé demora mais de dez minutos a mamar.

- O bebé mama em cinco minutos e não quer mais.

- O bebé mama à noite.

- O bebé não mama à noite.

- A minha mãe não tinha leite.

- As mamas estão muito cheias.

- As mamas estão muito vazias.

- Tenho as mamas muito pequenas.

- Tenho as mamas muito grandes. [por uma questão de consistências, já que lhes chamas mamas atrás e realmente é mais bonito]

- Não tenho mamilo.

- Tenho três mamilos. (Riu-se? Muitas mães dizem muito sérias que “não tenho mamilo”, e lhes asseguro que mais facilmente se tem três mamilos que nenhum.)

Preocupada com qualquer um destes sintomas, a mãe decide fazer algo para ter mais leite. Se decide fazer algo inútil mas inofensivo, como comer amêndoas ou acender uma vela para o Santo António, provavelmente não vai acontecer nada de mal, e até é possível que a fé faça a mãe pensar que o leite aumentou, e todo o mundo fica feliz.

Mas às vezes a mãe tente fazer algo que funciona, ou que pode funcionar. 

E, nestes casos, o conselho de pessoas que sabem alguma coisa sobre a amamentação pode ser ainda mais desastroso do que o daqueles que não sabem nada.

A história de Elena mostra-nos o quanto pode ser profunda a angústia a que se pode chegar nos primeiros meses quando se combina os infelizes dez minutos, o maldito peso e uns conselhos aparentemente razoáveis, mas totalmente inadequados visto que não havia nenhum problema para resolver:

“O meu filho de três meses e dez dias pesa apenas 4,640kg, nasceu com 3,210kg e baixou nos primeiros três dias até aos 2,760kg. O problema principal é que nunca quer mamar. Primeiro dava-lhe a mama a cada três horas, mas mamava sempre muito pouco; depois o pediatra aconselhou a cada duas horas e, como a situação não mudou, me aconselharam a pô-lo ao peito a qualquer momento. A situação não melhorou em nada e descontrolou-se; apenas mama bem e tranquilo durante a noite, e durante o dia come apenas quando está meio adormecido. E tenho feito tudo o que me têm dito: esvaziar o peito antes de dar-lhe para que tenha leite com mais calorias, seguir uma dieta sem leite de vaca e derivados e mil coisas mais que estão a pôr-me louca e até agora não serviram de nada. Temos tentado dar-lhe biberão e também não os quer. O pediatra diz que está saudável (e já lhe fizeram análise à urina) e tudo é normal, mas esta situação é realmente difícil para mim; vivo com a angústia de pensar se na próxima mamada comerá ou não, e tenho que estar sempre à espera da altura em que adormece para pôr-lhe o mamilo na boca a ver se tenho sorte e mama alguma coisa. Nunca posso fazer nada, quase nunca posso sair de casa porque o meu filho pode ter de repente vontade de mamar, e ainda estou preocupada porque o peso do meu filho está abaixo da média.”

O peso deste menino está no percentil 7; que é o mesmo que dizer que sete em cada cem bebés saudáveis da sua idade pesam menos, 28.000 dos 400.00 que nascem a cada ano em Espanha. Como estarão as mães desses outros 28.000? É um peso perfeitamente normal.

Mas o problema grave não terá sido o peso, mas sim que “mamava sempre muito pouco”. É o mesmo que dizer (porque com o peito não se sabe quanto mamam), que mamava muito depressa. Quanto sofrimento se teria evitado se, já durante a gravidez, tivessem explicado a esta mãe que uns bebés mamam mais depressa e outros mais lentamente, e que não há que olhar para o relógio. Quanto sofrimento se teria evitado se, da primeira vez que esta mãe disse “o meu filho mama muito pouco”, alguém lhe respondesse: “Claro, é tão inteligente, que aprendeu a mamar depressa!” Em vez disso disseram-lhe que sim, que existia um problema, que estava a mamar pouco… E deram-lhe conselhos no sentido de que mamasse mais. Conselhos, naturalmente, destinados ao fracasso, porque o bebé não precisava, e portanto não podia, mamar mais.

Em apenas quatro meses, a situação já se tinha deteriorado tanto que o bebé só mamava a dormir. Um psicólogo poderia falar sobre a recusa em comer, que lhe impede de mamar desperto. Talvez nos explicasse aquilo de “o peito bom e o peito mau”. Mas não faz falta entrar em profundidades psicológicas para avisar que, se o bebé já mamou enquanto dormia, e já tomou tudo o que precisava enquanto dormia (o que era evidente, porque continuava a engordar com normalidade), seria impossível que mamasse acordado. Comeria o dobro do que precisava. Rebentaria.

Este bebé não poderá mamar acordado enquanto a sua mãe não deixar de lhe dar de mamar enquanto ele dorme. E apenas tem quatro meses, ainda faltam as sempre conflituosas papas, e a perda de apetite ao redor do primeiro ano… Se não há uma mudança radical, a situação desta família pode chegar a ser desesperante.

Como vê o bebé esta situação? É claro que ele não percebe nada. Ele não sabe sobre os dez minutos, nem sobre o percentil 7 de peso. Ele estava tão tranquilo, a mamar o que queria, e de repente começaram a acontecer coisas estranhas. Acordavam-no para dar de mamar com mais frequência… Com a sua melhor vontade tentou adaptar-se, fazendo mamadas mais curtas, claro. Às vezes, alguém lhe tirava o leite mais aguado que saia ao princípio da mamada, e desde a primeira chupadela que começava a sair o leite mais espesso, com mais gordura e mais calorias.

Logicamente, nessas mamadas terminava mais cedo. Naturalmente, não quis nem provar o biberão (pois se já tinha mamado oito vezes nessa manhã!). Dava sempre uma resposta lógica, incapaz de compreender que a sua mãe e quem a aconselhava se angustiavam cada vez mais. Desde há umas semanas que tem uns estranhos “pesadelos”: sonha que um peito lhe entra pela boca, e que o seu estômago fica cheio. E o mais estranho é que esse sono parece estranhamente real; inclusive acorda cansado, pesado, e incapaz de mamar durante o dia.

A sua mãe parece cada dia mais preocupada; muitas vezes vê-a a chorar, e ele tem medo. E se pudesse falar, sem dúvida diria o mesmo que nos disse a sua mãe: “Estão a pôr-me louco”. E se pudesse entender o que se passa, de certeza que faria um esforço para mamar mais lentamente e estar os dez minutos da regra (mas a mamar a mesma quantidade, é claro, não é de se empanturrar), para que assim todos ficassem tranquilos. Mas ele não entende o que se passa, não pode fazer esse gesto de boa vontade. Apenas a sua mãe pode fazer essa alteração; caso contrário, o problema vai continuar durante meses ou anos.

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