A alimentação da mãe que amamenta… Afecta o seu leite?

16-06-2009 00:00

O Tema “Amamentação” é sempre rodeado de algumas dúvidas, seja por causa dos mitos que perduram no tempo, ou simplesmente pela falta de informação que existem nas instituições de saúde.

A alimentação é um dos temas que, quando relacionado com a amamentação, tem gerado alguma polémica e que leva, por vezes a mãe que amamenta a abandonar o aleitamento materno, sobretudo porque a ideia de que a mãe deve privar-se do comer o que gosta, desmotiva, e desfavorece a continuidade da amamentação bem como a forma cuidada, e saudável, com que deve fazê-lo.

De facto, a alimentação da mãe e a amamentação, estão menos relacionadas do que a maioria das pessoas pensa… Tanto no que diz respeito aos alimentos proibidos como aos alimentos “pró-amamentação”, que favorecem a produção do leite materno…

Estudos revelam que a dieta alimentar da mãe não está directamente relacionada com a qualidade e quantidade do leite que produz.

Mas para esclarecer melhor este aspecto, considera-se pertinente abordar algumas questões que no seu todo resumem a importância da alimentação da mãe.

1 - Que alimentos devem ser evitados durante a amamentação?

Não existem alimentos proibidos... Existem algumas teorias, que não estão (ainda) comprovadas mas que parecem fazer algum sentido, sobre alimentos que causam distúrbios intestinais (cólicas, diarreias, etc) nos bebés amamentados*.

No entanto, o impacto desses alimentos variam de bebé para bebé, pelo que não podemos criar uma lista de alimentos proibidos durante a amamentação. O único alimento que parece ter algum consenso, mas que mesmo assim não tem a unanimidade, é o leite de vaca, quando ingerido em grande quantidade pela mãe.

Mas, tal como qualquer regra em Alimentação, tudo o que é ingerido em excesso evidencia-se num erro alimentar.

Não é preciso eliminar por completo, mas recomenda-se que se evite o café, devido à presença de cafeína (estimulante) e pelo facto de este composto passar para o leite materno. No entanto é importante que a mãe que goste de beber um café, o faça sem receios ou culpas, mas que diminua ou a quantidade ingerida ou o nº de vezes que o bebe.

A orientação da Organização Mundial de saúde relativamente ao álcool é “ingestão zero”. Mas podemos abordar este assunto específico num outro texto dedicado somente ao álcool.

Na verdade, nenhuma mãe precisa de se privar de um pequeno prazer à dieta equilibrada. Desde que essa não seja a regra.
Especial excepção para os alimentos dos quais existe historial clínico de alergia, para o bebé e/ou para a mãe.
Salienta-se ainda que, por uma questão sensorial, alguns alimentos alteram o cheiro, o sabor e a cor do leite materno, como o caso da cebola, não havendo, no entanto, qualquer malefício para o bebé.

*A mãe deverá estar atenta a alguma reacção do bebé... Se desconfiar que algum alimento perturba o bem estar do bebé, pode experimentar eliminar da sua dieta durante 2 semanas e verificar se era realmente esse alimento que causava algum mal-estar ao bebé. Se não houve alteração no bebé, pode voltar a comer esse alimento (pois ficou provado que não era esse o alimento perturbador)... Se houve um melhoramento, este deverá ser reintroduzido numa fase mais avançada do bebé e verificar se existem novamente alterações.
Não esquecer de substituir esse alimento por outro com propriedades semelhantes, para que na alimentação, não se perca nutrientes importantes para a dieta da mãe.



2 – Que alimentos ajudam a manter/aumentar a produção de leite?

Os mitos relativamente a uma série de alimentos que ajudam a aumentar a produção de leite, não só não estão totalmente comprovados (alguns estão comprovados que não aumentam), como as pessoas que usam este tipo de produtos como tentativa de aumentarem a sua produção de leite, podem correr o risco de exceder a sua ingestão, o que poderá provocar alguma intoxicação.

Outra situação é o sentimento de culpa, por parte das mães que não conseguiram seguir a lista restrita, levando-a a abandonar a amamentação, por sentir que não está a contribuir da melhor forma para a saúde do seu filho.

A melhor forma de manter a produção de leite, é continuando a amamentar, sempre que possível e em regime livre.

Se o objectivo for aumentar a produção, sugerimos que aumente também a frequência das mamadas, promova o contacto pele-a-pele com o bebé, e aumente um pouco a ingestão de líquidos (água preferencialmente).

Também é importante esclarecer que, a mulher (salvo raríssimas excepções) tem a capacidade inata de amamentar o seu filho, não havendo nenhum alimento imprescindível e que a produção de leite não depende da dieta mas das necessidades da criança.


3 – Que nutrientes/vitaminas devo tomar em suplemento para fortalecer o meu leite?

É importante esclarecer duas coisas:

1 - O Leite Materno é o ÚNICO alimento 100% adaptado ao bebé. Não precisa de qualquer suplemento durante os primeiros 6 meses de vida, e a partir dos 6 meses precisa de ser complementado (não é a mesma coisa que suplementado) com alimentação familiar.

2 – Os suplementos vitamínicos que a mãe toma, não influenciam directamente a qualidade do leite materno. Assim, só haverá alguma vantagem em tomar suplementos vitamínicos se a própria mãe tiver carência dessas mesmas vitaminas. (ex. Vitamina B12 em Vegetarianos estritos - Vegans)

4 – Sabendo que a amamentação consome mais energia da mãe, deve esta aumentar as calorias diárias?

Tal como já referimos na introdução deste tema, a alimentação da mãe, tem pouca influência na produção de leite. Só em caso de desnutrição severa, é que o leite poderia ficar mais afectado, caso contrário, continuará perfeito para nutrir por completo o bebé até aos 6 meses, e até mais tarde juntamente com outros alimentos complementares.
A produção do Leite Materno, tem como fonte de energia:
200 calorias das reservas do organismo da mulher + 500 calorias da alimentação diária da mulher.
Mas estes, são apenas cálculos teóricos, tendo-se revelado um excesso para algumas mulheres e insuficiente para outras...
O recomendado é que a mãe se alimente de acordo com o seu apetite, tendo como referencia as orientações de uma alimentação saudável.



Resumo: A alimentação da mãe deve ser o mais variada possível, permitindo uma boa ingestão de diferentes tipos de nutrientes e vitaminas, e dando oportunidade ao bebé de experimentar novos sabores através do leite materno (ajudando a introduzir os diferentes sabores dos alimentos da refeição familiar).
Deve, como qualquer pessoa, independentemente se amamenta ou não, evitar excessos.
A ingestão de água, é sem dúvida uma boa forma de repor os líquidos necessários ao bom funcionamento do nosso organismo.
No leite materno, a maioria dos seus constituintes estão presentes nas mesmas proporções em diferentes mães, no entanto alguns podem variar consoante a dieta desta.
Esta variação não é significativa se a mãe tiver uma alimentação equilibrada.

Conclusão: A alimentação da mãe que amamenta é importante? Claro que sim... mas pela saúde e bem-estar da mãe e não pela influência que têm na qualidade e quantidade de leite que esta produz para o seu filho.
Além disso, uma mãe com uma alimentação correcta, transmitirá ao seu filho, hábitos saudáveis. Por isso mesmo, aconselhamos as mulheres que receberam ou se preparam para receber uma nova vida ao seu cuidado, que vejam a gravidez e a amamentação como uma oportunidade de corrigirem erros alimentares e contribuírem da melhor forma para a sua saúde, dos seus filhos e da restante família!
As recomendações são praticamente idênticas às orientações de uma alimentação saudável para qualquer pessoa, tendo em conta a sua estrutura física, cultura, estilo de vida e gostos pessoais.

Bárbara Correia

Fontes:
http://www.kellymom.com/
http://www.llli.org/
http://www.amamentar.net
Manual prático do Aleitamento Materno, Carlos Gonzalez
Manual do Aconselhamento em amamentação, OMS/UNICEF

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